A Não-Revolução

Botando ordem na casa

Eu ia fazer algo manjado pra blogs sobre ocultismo e conspiração: explicar o significado real do Natal. Mas tantos outros – como o Teoria da Conspiração e o Morte Súbita – já o fizeram, que não me motivei. Comecei a estudar o assunto mesmo assim, e me deparei com uma montanha de livros que é preciso ler pra reconstruir a história do assim chamado Jesus, ou pelo menos uma versão pessoal mais próxima dos fatos reais.

Uma coisa que me chamou a atenção em meus debates pelo Orkut foi quando um desavisado disse que “O Cristianismo é a religião mais antiga que existe”. Apesar de a frase em si ser uma óbvia burrice, a idéia que ela denuncia é curiosa. Realmente temos a sensação de que o Cristianismo foi a única coisa que existiu, que ele nasceu do jeito que é, e seguiu tranquilamente até os dias de hoje. Nada pode ser mais enganoso. Como diz Stephan A. Hoeller em seu “Gnosticismo”:

É bom relembrar que os padrões da ortodoxia [Quando esse autor fala em ortodoxia, não se refere à Igreja Ortodoxa, que é muito mais tolerante, mas sim, à Igreja Católica e suas herdeiras protestantes] dificilmente existiram nos duzentos ou mais primeiros anos da história cristã. A igreja cristã foi uma coleção solta de comunidades que possuíam uma grande diversidade de crenças e práticas, não tendo nada mais em comum do que uma consideração por Jesus e a sua missão. Se a maré da política eclesiástica não tivesse se desviado para uma uniformidade rígida, …

Muito sangue inocente rolou, muitas mentiras foram contadas, e são repetidas até hoje como se sempre tivessem sido verdades. É fundamental para todos aqueles que querem entender os desígnios de nossa sociedade, que investiguem a história do Cristianismo e dos movimentos que conviveram com ele, e que são seus perseguidos até hoje: os templários, os maçons, os rosa-cruzes e outros.

Mais do que o tamanho da tarefa, me questiono sobre o propósito dela. Provando a verdade, o que vou fazer? Publicar um livro? Escrever neste blog? Esfregar na cara de todo mundo que conheço? Robert Lomas e Christopher Knight em seu “A Chave de Hiram” perguntaram:

Se toda a base do Cristianismo pode ser explicada como sendo um erro tolo, será que o Vaticano irá pedir desculpas pelos incômodos causados, auto abolir-se e devolver toda a sua riqueza e poder ao Rabino de Jerusalém?

A resposta todos já sabem.

Provavelmente vou continuar com a velha prática de sempre das ordens iniciáticas: guardar a verdade em um local discreto, porém acessível aos buscadores sinceros. Ninguém aceita mudanças vindas de fora, apenas a sabedoria interna pode guiar alguém, como me guiou e tantos outro, a esses fatos “secretos”. Ao menos, graças à liberdade de crença garantida pela Maçonaria, posso falar sobre o que eu quiser sem ir pra fogueira.

Pra quebrar um pouco esse clima de reflexão de fim de ano, deixo mais 2 links de natal (ok, estou atrasado, mas vai mesmo assim): o primeiro é um artigo sobre os ritos sazonais celtas (que influenciaram a liturgia cristã), no blog A Sombra do Carvalho. O segundo é um artigo sobre o Natal escrito por Helena Blavatsky em 1879, que não apenas cita as origens pagãs dessa festa como faz uma reflexão sobre o que ela e a igreja se tornaram.

No demais, boas festas a todos!

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dezembro 29, 2008 Posted by | Cristianismo, Natal, Religião | 4 Comentários