A Não-Revolução

João Hélio, Isabela Nardoni, Eloá: como a histeria em massa cria novas desgraças.


Os ingredientes dessas 3 tragédias todo mundo já conhece. Até porque nenhuma rede de televisão, jornal ou mesmo site da internet nos deixa esquecer. Uma vítima jovem e inocente, um crime brutal e sem motivo, ampla divulgação na mídia e o natural resultado: comoção popular ampla e generalizada.

Antes de mais nada, apesar de minha análise ser fria, não sou insensível a crimes como esses. Pelo contrário, tanto me comovo que não fico assistindo, com uma curiosidade mórbida, ao noticiário da TV, pra saber sobre cada gota de sangue que rolou. Tanto me comovo, que abomino a super-exposição das famílias das vítimas, e o quanto os jornalistas lucram em cima da desgraça alheia. Tanto me comovo que escrevo esse artigo, na esperança de que tais acontecimentos parem de se repetir.

Não vou aqui comentar muito sobre as pessoas que se deleitam com os infortúnios dos outros para dar algum significado a suas vidas medíocres. São os mesmos pobres de espírito que dependem de novelas para ter alguma capacidade de sonhar.

Os perigos da mídia de massa são amplamente conhecidos por aqueles ligados a espiritualidade. Estes sabem que vivemos uma época de transição, uma época em que os segredos da mente e do espírito estão sendo revelados. E uma das “novidades” muito divulgadas hoje em dia é a seguinte verdade:

A mente e as emoções criam a realidade.

Isso mesmo. Explicando a grosso modo, é algo assim: quando você reclama do seu chefe, você automaticamente está atraindo chefes desagradáveis para você. Se esse seu chefe sair, vai vir outro tão ruim quanto. Ou se o próximo for legal, você é quem vai trocar de emprego, para continuar tendo um chefe ruim.

Esse fenômeno de mentalização (também conhecido como “A Lei da Atração”) é amplificado por diversos fatores, dentre eles: quantidade de pessoas envolvidas, intensidade emocional, grau de concentração. Que tal o poder das mentes de milhões de pessoas impactadas por imagens fortes, (aliás, esse é um dos motivos pelos quais não é recomendável assistir televisão), discursos emocionados, comentários dos colegas de trabalho, uma verdadeira ladainha hipnótica?

Sim, isso mesmo. As pessoas que ficam chocadas com esse tipo de tragédia acabam gerando novas iguais. E isso é demonstrado pelas circunstâncias análogas dos 3 eventos que citei no começo desse texto.

Não que não devamos cobrar do Poder Executivo e do Judiciário as medidas cabíveis. Agora, ficar parado na porta dos acusados xingando, ou ir ao enterro de uma pessoa que você nem ao menos conheceu pessoalmente, que sentido tem? Não vai resolver nada, só vai enriquecer os donos dos jornais com novas notícias.

Fica então apenas uma recomendação: se você presenciar uma tragédia, não fique assistindo para entreter-se. Só faça parte dela se você puder ajudar, se você puder fazer algo útil de verdade.

Não mentalize aquilo que você realmente não quer que aconteça.

Anúncios

novembro 1, 2008 Posted by | Mídia, Poder da Mente | 1 Comentário